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Gorda sim, mas com Humor!

Sou uma Ex-Obesa Morbida e criei este blog apenas para que a minha experiencia possa ajudar e esclarecer quem tambem sofre desta doença

A Parte Psicológica...

As cirurgias bariátricas são provavelmente a melhor solução para o tratamento da obesidade... disso já ninguem tem dúvidas.

 

imenso vazio.gifNo entanto, é muito importante que sejam indicadas para pessoas que possuam estrutura psicológica capaz de suportar a mudança radical que vai acontecer no seu próprio corpo.


Esta mudança fisica não vai de imediato ser acompanhada, pela mudança da nossa cabeça,e por consequência, dos nossos hábitos.

Para se fazer uma cirurgia bariátrica é necessário que se realize uma avaliação e acompanhamento de uma equipa, da qual faz parte o psicólogo.
O papel do psicólogo é o de avaliar se a pessoa está apta emocionalmente para a cirurgia, e auxiliá-la quanto à compreensão de todos os aspectos do pré e pós-operatório, bem como fazer uma preparação de aceitação ás mudanças de hábitos no dia a dia.

 

É importante frisar aqui, que a cirurgia bariátrica NÃO modifica a vontade de comer determinados alimentos, ou tão pouco de comer nas quantidades a que estavamos habituados antes da cirurgia.

 

Muitas vezes por isso, não é raro acontecer depressões, abuso de álcool e/ou de outras drogas nos pacientes que foram inadequadamente selecionados para a realização de cirurgias bariátricas ou que não receberam atenção psicológica posterior á cirurgia.

 

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Desde que nasceu este blog, que tenho conhecido pessoas que gostariam de fazer a cirurgia ou que já fizeram. A troca de experiências tem sido tão enriquecedora que chega a emocionar-me...

Mas outros há, que apesar de não viverem com o problema da obesidade, são interessados pelo assunto:


Hoje dou-vos a conhecer uma dessas pessoas (oportunamente darei a conhecer outras).

Ela é a Catarina e frequenta o 12º ano na Escola Secundária Miguel Torga.

A Catarina pediu-me ajuda para um trabalho que está a desenvolver no sentido de alertar e clarificar a população sobre a obesidade. E para isso, precisa de realizar diversos inquéritos/entrevistas. Estes inqueritos são anónimos e é apenas necessário que indiquem a vossa idade e sexo.

Podem responder directamente aqui no blog ou enviar para o mail dela catarina.cascais@hotmail.com

 

Não custa nada ajudar, e assim dar voz a muitos de nós que tantas vezes nos queixamos, que quem não é obeso não se preocupa com o obeso...

 

Ora aqui está uma prova em contrário... de uma jovem que faz ver a muito magro que a pior gordura é a que se desenvolve no cérebro...

Aqui estão as perguntas:

1. Com que idade se tornou obeso/a?

2. Apresentou algum tipo de sintomas? Se sim, quais?

3. De que modo lhe foi feito o diagnóstico?

4. Tem familiares com o mesmo problema?

5. Que factores pensa que estiveram na origem do seu problema?

6. Quais as suas principais dificuldades? De que modo as supera?

7. A doença já o/a colocou em situações de risco?

8. Recebe algum tipo de apoio?

9. Faz ou fez parte de alguma associação? Nao esqueçam dizer o vosso sexo e idade, e desde já o meu muito obrigada a quem participar

Avaliação Psicológica*

Todos nós obesos que pretendemos submeter-nos à Cirurgia Bariátrica devemos antes passar por um preparo psicológico.

 

Torna-se fundamental um suporte psicológico antes e após a cirurgia bariátrica, apesar de muitas das vezes não termos consciência disso.

 

Há que ter em atenção que a cirurgia bariátrica, causará uma limitação física impedindo a ingestão de grandes volumes de comida, mas, o nosso estado psíquico em nada será afectado pelo bisturi. Não existe anestesia que resolva as aflições, frustrações e angústias e somente com um bom trabalho de equipa psicologo/paciente poderemos alcançar o sucesso da cirurgia bariátrica.

 

Um contacto inicial, para uma breve avaliação do nosso histórico, e relação com os outros e nós próprios, a decisão pela cirurgia, o medo inerente á cirurgia e suas consequências, a angústia dos riscos, as pressões familiares e expectativas são alguns factores que serão abordados, facilitando assim o trabalho do psicólogo

 

Algumas pessoas estão em momentos de especial angústia ou de depressão, ou até mesmo numa euforia excessiva, com expectativas exageradas com os resultados da cirurgia, todos esses aspectos deverão ser trabalhados antes de se pensar na operação.

 

O modo como cada um de nós se relaciona com a comida é muito importante na avaliação pré-cirúrgica, tornando-se necessário focalizar o lugar ocupado pela comida na vida de cada um, pois a maioria de nós engorda e come compulsivamente, não porque sente uma fome física e sim, psicológica, ou seja, comemos porque nos sentimos tristes, ansiosos, stressados ou frustrados e usamos a comida como um nutriente emocional inadequado, escondendo as nossas próprias emoções através da comida.

 

O objectivo do psicólogo é ajudar-nos a encontrar com consciência as causas verdadeiras da compulsão e assim se detectar as possibilidades de mudança, descobrindo-se outras fontes de prazer.

 

Após a cirurgia temos que nos adaptar a um novo estilo de vida que é completamente diferente ao anterior lidando com situações de privação de alimentos que antes eram ingeridos em grande quantidade, se não conseguirmos lidar com esta privação, podemos acabar transferindo a compulsão para outros vícios e é aqui que a ajuda psicológica é importante.

 

Para muitos de nós, a obesidade funciona como uma defesa e até como uma boa desculpa para não ter uma vida social e afectiva. "Não vou ali porque sei que vou encontrar conhecidos que me vão dizer que estou gorda", "Não encontro emprego porque estou gorda",”Não vou á praia porque estou gorda!” etc.


Depois do emagrecimento, estas desculpas já não podem mais existir e temos que aprender a lidar com uma nova realidade e principalmente aceitar que agora somos uma pessoa sem limitações físicas.

 

Quem opta pela cirurgia deve saber que está a optar por enormes mudanças internas e externas, no qual tem um período de adaptação emocional, física e social, mas principalmente está a optar por uma melhor qualidade de vida.

 

A ajuda psicológica na reorganização desta nova vida, num corpo diferente é imprescindível e apesar de não nos apercebermos o trabalho do psicólogo vai mais fundo que o bisturi do cirurgião. sorriso.gif