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Gorda sim, mas com Humor!

Sou uma Ex-Obesa Morbida e criei este blog apenas para que a minha experiencia possa ajudar e esclarecer quem tambem sofre desta doença

[1] Rita Chuva


 

 

 

Nome: Rita

Idade: 22 Anos

Altura: 1,66

Peso: 130 Kg

Situação:Bypass Gástrico em 29.10.2007

Data do 1º Testemunho: 28.11.2006

Actualizado a: 28.12.2007 e com 110 kg

 

 

 

 

Chamo-me Rita e tenho 22 anos. Estou prestes a licenciar-me no curso que sempre quis. Tenho amigos, uma família que me adora, carro e dinheiro. Tenho uma vida boa.
Posto isto, sou igual a muitas raparigas da minha idade. Com uma pequena (GRANDE) diferença. Tenho 130 quilos.
Tenho peso a mais desde que me lembro de mim. A minha mãe diz que comecei a engordar aos meus quatro anos, eu não contesto. Não tenho memórias dessa idade, nem de antes.
Lembro-me da minha primeira dieta com um nutricionista, aos 7 anos. Fui a uma clínica, fiz tudo o que o doutor me disse, por obrigação. Não sabia bem porque ali estava, sabia que tinha de comer o que tinha escrito num papel e não podia comer tantas outras coisas que adorava. Paciência. Ia deixar a minha mãe orgulhosa!
E foi isso que fiz, todas as semanas o médico e todas as assistentes me mimavam, orgulhosos de mim, por mais um quilo perdido. Talvez por ser a paciente mais nova, pois não me lembro de ver pelo consultório pessoas da minha idade. Só mais velhos. E com alguma inveja, quando a balança sempre me presenteava com boas notícias, ao contrário deles.
Agora penso que, ao contrário do senso comum, em criança, temos mais força de vontade e é mais fácil contrariar o aumento de peso involuntário. Ou não. Porque voltei a engordar depois. E voltei a emagrecer. E a engordar. E assim sucessivamente.
A outra dieta “a sério” que fiz foi há uns anos. A minha mãe ouviu falar de uma clínica, a StarStudios, em Lisboa, e marcou-me uma consulta. Dieta adequada, ginástica passiva numas camas que (praticamente) fazem o trabalho por nós. Eu disse sim, a mãe disse sim, o pai passou o cheque. 1600 euros, ali, na primeira consulta.
Comecei com 114 quilos, na altura. Resultou? Sim, resultou. Em 9 meses cheguei a perder quase 30 quilos. Mantive-os? Não. Sem saber como nem porquê, voltei a assimilar todo o peso que perdera, e ainda mais. Novo fracasso, a adicionar a tantos outros durante a minha vida,no que toca a dietas.
Ano passado, época pré-natalícia. A vergonha ao pensar na cara da família quando me visse, família que há dois anos aplaudira a minha força de vontade e a minha nova silhueta. A minha mãe ouviu falar da Dieta 10, já muita gente a fizera,com bons resultados. As consultas, numa ervanária, apenas a 5 euros. Pareceu-me bem e dentro das minhas possibilidades (trabalhava em part-time), pois nem pensar em pedir aos meus pais dinheiro para algo relacionado com dietas, depois de tudo o que gastaram e eu desperdicei.
Lá fui. 117 quilos, marcava a balança. A alimentação assustou-me um pouco. Diferente de tudo o que ouvira falar, e se eu ouvira falar em dietas! Sabia-as todas, de cor e de trás para a frente. Esta era composta por salsichas, fiambres e enchidos durante o dia, substituido as normais peças de fruta, leite, iogurtes. Refeições ainda mais peculiares. Duas ampolas por dia, de sabor duvidoso, e imensos produtos comprados na própria ervanária. Ou seja, as consultas sim, eram a 5 euros, mas de cada vez que lá ia gastava mais uns 30, 40 ou 50 euros. Decidi que aquilo não era para mim. Mais uma vez, deixei o processo a meio. Ou início, porque só cheguei a perder uns 3 quilos.
Com o dinheiro que ia poupar dali, inscrevi-me num ginásio. Holmes Place, tudo do melhor. Comecei com fé, ia todos os dias, quando não ia já não me sentia bem. Dava tudo por tudo. Aos poucos comecei a deixar de ir. Continuei a pagar (contrato anual). Todos os meses 83 euros voavam-me da conta, e eu fingia que nem via. Os meus pais não se continham e apontavam-me na direcção da razão, mas eu já não aguentava mais. Uma pessoa obesa no meio de um desfile de modelos, gente musculada e bonita, com roupa reduzida.... não é das melhores sensações, garanto-vos. Cada vez que lá entrava, sentia-me observada, como se toda a gente pensasse que eu não pertencia ali. Deixei caducar a minha inscrição.
E assim fui continuando, uns dias melhores, uns piores. A comer cada vez mais. A ter cada vez menos cuidado. A pensar cada vez menos na minha saúde. Sim, porque a saúde era quem estava a ser mais negligenciada. A parte estética também, claro, mas como sempre usei roupas trendy, sempre me mantive atenta às novas tendências, e graças a lojas como a H&M sempre me vesti super bem, com os melhores acessórios e os melhores sapatos a condizer, a parte estética não estava em foco.
Até que comecei a sentir dificuldades em fazer coisas simples. Em calçar umas meias, por exemplo. Em subir escadas, por mais pequeno que fosse o lance. Em dormir. E a sentir umas dores no peito que não me agradavam nada. Mas sempre pensei que tivesse a situação controlada. Quando quisesse, fazia uma dieta, eu que até tinha facilidades em emagrecer. O pior era manter. E assim me ia iludindo.
A minha mãe sempre em cima de mim, a voz da razão, e eu ouvia mas pensava “calma, Rita, tens tudo controlado. É so quereres.Só quereres...”.
Já tinha conhecimento das cirurgias bariátricas, já me tinham, inclusivé, perguntado porque é que eu não considerava essa opção. Chegava a sentir-me ofendida. Nunca me via como apta a uma cirurgia dessas. Achava sempre que ainda não estava “no ponto”. Iludia-me, repito. Sabia-me obesa mórbida, mas pensava sempre que, pelo menos, não era como uma das pessoas que precisavam da cirurgia. Pensava eu.
As minhas dificuldades passaram para coisas práticas, do dia-a-dia, e que me fizeram sentir mal, muito mal. Comecei a ter medo das cadeiras de plástico das esplanadas, porque me sentia apertada lá sentada. Antes de entrar num cafe, tinha que analisar as cadeiras e sua disposição. No cinema, comecei a sentir dores nas pernas, por ficarem presas nos braços dos bancos. E só me imaginava na minha próxima viagem de avião, a ter que pedir um acrescento para o cinto. As coisas começaram a bater-me fundo cá dentro. Mas continuava sem considerar a cirurgia.
Até que um belo dia, ao fazer zapping, parei num programa, no Discovery Science, uma espécie de diário de um rapaz que tinha feito um bypass gástrico, e mostravam a luta diária dele com a obesidade, a vida que tinha antes da operação, com a qual eu me identificava a 100%, e depois da cirurgia. Tudo o que ele agora pode fazer que antes não podia. As roupas que pode vestir, que antes não podia. A vida que agora tem, que antes não podia ter. Em suma, tudo o que eu queria, mas não podia. O programa terminou e deixou-me lavada em lágrimas.
Liguei a internet, ainda em estado de choque, e comecei a procurar tudo sobre cirurgias de obesidade. A única coisa que eu sabia era que, em Portugal, as listas de espera nos hospitais públicos eram (e são) de anos infindos, e que a minha consciência não me permitia pedir dinheiro aos meus pais para a fazer num hospital privado.
Procurei, pesquisei, e fui ter a um fórum do clix, onde, para surpresa minha, muitas pessoas tinham o mesmo problema que eu, e falavam dele!
Sempre encarei a minha obesidade como assunto tabu. Eu não falava do meu peso, nem as pessoas à minha volta mo perguntavam. Era um problema que lá estava, mas do qual não falávamos.
Foi nesse fórum que encontrei a Gina, a minha “madrinha” e a pessoa que me abriu as portas para a vida nova que aí vem. Gostei tanto da maneira de ela pôr as coisas, tão prática, tão simples, tão genuína... e adorei ainda mais o blog, que me fez ver que há imensas pessoas a sofrer o mesmo que eu, e do mesmo que eu, e ali estava ela, uma obesa, feliz, bem disposta e, acima de tudo, a querer ajudar todos os outros que partilham a nossa doença! Adicionei o email dela ao Messenger, e quando ela entrou, fui logo ter com ela, bombardeá-la de perguntas (obrigada pela paciência, “madrinha”...), e a todas obtive resposta.
Ela encaminhou-me para o hospital onde ela, recentemente, foi submetida à cirurgia, e em pouco tempo as coisas começaram a desenrolar-se! Fui ao meu médico de família pedir uma credencial, e dirigi-me ao hospital. Marcaram-me a primeira consulta para dali a duas semanas, as quais passei mais que ansiosa! Na consulta, maravilha. Médico cinco estrelas, explicou-me tudo com simpatia e disponibilidade, fez-me sentir bem, segura, bem tratada. Saí de lá nesse mesmo dia com uma data de exames marcados, todos para Dezembro! Tendo em conta que a consulta foi na semana passada...e já tenho tudo marcado para daqui a duas semanas... as duas consultas mais demoradas são as de psiquiatria, para Janeiro, e a de nutrição, para fim de Fevereiro.
Mas o que são três meses de espera, se passei toda a minha vida a engordar? Não me importo de esperar mais três meses para começar a viver com mais qualidade.
De todos os exames, o que mais me incomodou e assustou foi a endoscopia. A ideia de ter um tubo da minha boca até ao estômago impressinou-me bastante. Mas a gMaria, meu anjo da guarda, depressa me acalmou, dizendo-me que, com efeito, a endoscopia é feita com um sedativo, portanto, não sentimos nada. E assim é! Recebi na sexta-feira passada a carta com a marcação da consulta, onde se lê que é dado ao paciente um sedativo, para que o procedimento seja feito com calma, sem traumas para o doente. Que alívio.
E agora ando numa espécie de levitação, aguardando o meu dia, o dia D, em que entrarei no bloco operatório feliz da vida, pensando em tudo de bom que daí advirá. Também me sinto mais leve comigo própria, já enfrentei alguns dos meus medos. Por exemplo, contei, finalmente, às minhas amigas mais próximas, quanto peso. Nunca o tinha feito, a ninguém (sem ser a minha mãe). No fundo, pensei que me iriam discriminar quando soubessem o meu peso, como se as pessoas não soubessem, ao olhar para mim, que eu era uma obesa mórbida! Tanto tempo a tentar esconder essas sensações, quando no fundo era eu quem me discriminava a mim própria. Quando finalmente contei às minhas amigas tudo o que se passava, e lhes disse quanto pesava, elas levaram tudo com tanta naturalidade. Claro, olhando para mim podiam praticamente adivinhar! Mas eu não pensava assim.
Espero que este meu testemunho ajude outros tantos que, como eu, sofrem com esta doença que é a obesidade mórbida. Se tiverem oportunidade de fazer algo para se tratarem, façam-no! A cirurgia não é a cura, mas é um GRANDE passo para a mesma. Quanto à compulsão alimentar, essa não tem cura possível, mas podemos aprender novas formas de lidar com a comida, para que possamos ter uma vida mais saudável. Não se culpem, como eu sempre fiz. Culpava-me por não ter força de vontade, para logo de seguida me punir com mais comida. A culpa não é nossa. É uma DOENÇA. E é isso que todas as pessoas que nos discriminam deveriam pôr nas cabeças ignorantes de uma vez por todas.

Este é o meu primeiro testemunho. Tenciono fazer mais, ao longo deste meu caminho, longo caminho, que tenho pela frente. Quero agradecer à gMaria, quem me abriu este caminho, me mostrou o princípio de uma solução. O meu muito obrigada, sincero. Vais fazer sempre parte da minha vida, espero que tenhas noção disso.
Mas a pessoa a quem eu tenho TUDO a agradecer, e sempre mais, a pessoa que NUNCA deixou de estar do meu lado, apesar de ter assistido às minhas quedas, e fracasso atrás de fracasso, lutas interiores, tudo o que se possa imaginar... a minha Mãe. Ela é a pessoa que sempre me apoiou, nunca deixou de estar a meu lado. E sempre, sempre acredita em mim. Mesmo sabendo de todos os antecedentes. A minha Mãe é a pessoa mais importante da minha vida, está sempre por trás de mim, para me amparar as quedas. E eu tenho muito orgulho em ser filha dela.

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28.12.2007

 

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Fui operada a 29 de Outubro de 2007, há quase dois meses. Esperei algum tempo até escrever esta actualização do meu testemunho. Acho que precisava de um certo distanciamento para poder descrever a minha experiência. Para melhor a contextualizar, nos meses entre a minha entrada na lista de espera e a chamada para a cirurgia foram tempos de loucura! Poucas vezes na vida me senti tão ansiosa e impotente, e acreditem que sofro de ansiedade crónica e aguda…quem me conhece não me deixa mentir. Quase todas as semanas ligava para o número mágico (o das consultas de cirurgia) para saber quantas pessoas estavam à minha frente. Tanto liguei, que cheguei a pedir a outros para o fazerem, tal era a vergonha de estar constantemente a incomodar as funcionárias!

Fui estando sempre em contacto com a minha querida Eliana, estávamos mais ou menos a par nas listas: eu na do Dr. Paulo, ela na do Dr. Edgar. Fazíamos planos imaginários de manipularmos as listas para sermos operadas na mesma altura, sempre na brincadeira. Mas, no fundo, isso dava-nos força para continuar a espera que pareceu interminável… Quando a Eliana foi chamada, não cabia em mim de contente! Mas, depois de termos passado tanto tempo juntas naquela longa caminhada, não consegui evitar uma certa angústia por não ter sido chamada com ela. Mas, por sorte, eu só tinha uma pessoa à minha frente. Ou seja, seria operada uma semana depois da Eliana!

Por azar, a operação dela foi adiada uma semana. Infelizmente, fui eu a dar-lhe a pré-notícia (disse-lhe que isso poderia acontecer, informação que me foi transmitida numa das muitas chamadas para a unidade de cirurgia). E foi isso mesmo que aconteceu. Eu brinquei, dizendo que assim deveríamos ser operadas juntas, mas não percebi o quanto isso a magoou. Afinal, ela estava à espera há tanto tempo, foi mais uma quebra na confiança que ela, mais uma vez, tinha depositado na cirurgia. Ela foi-se muito abaixo nessa semana, e eu só o percebi mais tarde, ao ler o blog dela. Porque ela não mostrou como se sentia, pelo contrário! Dizia que não fazia mal, que não estava ansiosa, nem triste. A cirurgia da Eliana foi remarcada para dia 29 de Outubro.

Na 5ª feira, dia 25 de Outubro, recebi uma chamada do Hospital São Francisco Xavier. Nem queria acreditar: a pessoa que iria ser operada no dia 29, paciente do Dr. Paulo Roquete, tinha desistido. Eu ia ser operada no dia 29! Durante a chamada, tremia como varas verdes. Não estava à espera, foi tão repentino! No dia seguinte tinha de estar no hospital, às 10h, para a consulta de anestesia. Tudo me passou pela cabeça, naquele momento. Senti um misto de emoções: a alegria de, finalmente, ser operada; o receio de possíveis complicações.

Quando, finalmente, caí em mim, fez-se luz na minha cabeça: eu ia ser internada e operada ao mesmo tempo que a Eliana! Íamos partilhar esta experiência única! Dado o tamanho do texto, vou fazer fast forward até ao dia 28, dia do nosso internamento. Não cabíamos em nós de tão contentes que estávamos! Infelizmente, não ficámos no mesmo quarto, mas ficámos em quartos contíguos, um ao lado do outro. Nessa noite, tirámos fotos, fizemos planos, brincámos e rimos de alegria e de nervoso miudinho. Soubemos que ela seria operada primeiro, por volta das 8 da manhã, e eu depois, a partir das 11h. Despedimo-nos antes de ela ser levada para o bloco operatório. Quando fui levada para o bloco, despedi-me dos meus pais, e não tive medo. Fui, sempre confiante. Pensei em muita coisa, mas acho que sempre tive a certeza de que tudo iria correr bem.

Pouco me lembro do pós-operatório, enquanto estava no recobro. Apenas de me sentir extremamente nauseada. Não sei se foi da anestesia, do estômago remexido, ou das duas coisas, mas passei muito mal a noite da operação. Vomitei várias vezes (apesar de não ter nada para vomitar), estive inquieta e pouco descansei. No dia seguinte, sentia-me já bem melhor. Desde o segundo dia, a Eliana esteve sempre comigo. Ela recuperou bastante bem, e puxava por mim. Eu estava sempre mais cansada, mais maldisposta, quase sempre deitada. Até aí não sabia bem porquê, e estranhava o facto de ela se sentir tão bem! Pensei que fosse normal estar menos activa, como eu estava, por ter sido operada há pouquíssimo tempo.

Depois de dois dias a soro, partilhámos o medo da primeira refeição, se é que se pode chamar refeição: meio copo de chá. Demorámos tanto tempo a ingeri-lo, com as nossas colherinhas de café! Em todas as refeições, a Eliana estava no meu quarto. Aliás, a toda a hora, quando não estava a passear pelo hospital. Tornámo-nos, mais que amigas, irmãs. E, por isso mesmo, quando na 5ª feira, três dias depois de sermos operadas, eu caí na cama a tremer de febre, ela se sentiu tão ou mais mal que eu. O pânico das enfermeiras, sem saber o que eu tinha, a tentarem baixar-me a febre com panos de água gelada pelo corpo, eu deitada na cama com tremores que me abanavam de cima a baixo, movimentos involuntários, o medo de ser operada de novo quando vi uma das enfermeiras trazer uma bata e umas meias idênticas às que vesti no dia da operação. Tudo isto me abalou muito, e à Eliana também. A febre não baixava, mas os tremores pararam. O Dr. Edgar, que estava de banco, examinou-me, e com ar preocupado pediu um TAC. Tudo isto me assustou. Confesso que, nesses momentos de angústia, pensei no que tinha feito e arrependi-me da operação. Muita coisa me passou pela cabeça. E a Eliana esteve sempre ali, do meu lado, com o coração nas mãos. Levou-me, com as enfermeiras, até à sala de radiações. Veio-me buscar, depois do TAC feito. Enquanto eu ia acordando e adormecendo, por causa da febre, via-a sempre sentada, aos pés da minha cama, com um ar triste mas sempre tentando animar-me. E partilhou comigo a alegria de saber, pelo Dr. Edgar, que o TAC não acusou nada de significativo.

Comecei um tratamento com antibióticos e, ao fim do terceiro dia, estava melhor. A minha estadia prolongou-se por mais três dias que o previsto, e a Eliana não se queria ir embora sem mim. “Entrámos juntas, saímos juntas!”, dizia ela, em tom firme. Mas acabou por ter de sair no Sábado, ordens do Dr. Edgar, e eu saí na 2ª feira seguinte, grata aos médicos, enfermeiros e auxiliares, que tudo fizeram para tornar a nossa estadia o mais confortável possível. E, acima de tudo, grata à minha AMIGA Eliana, que sempre esteve do meu lado, sempre me apoiou em tudo. Partilhámos uma experiência única nas nossas vidas, e ninguém, sem sermos nós, sabe aquilo pelo que passámos as duas. Adoro-te, amiga do meu coração.

Aos meus pais, que sempre me apoiaram, à minha família e amigos, também o meu muito obrigada.
E a ti, Gina (gMARIA), madrinha que sempre me guia, muito obrigada por teres ido ao hospital, no dia da nossa operação, para nos dares o apoio que tão bem te caracteriza. És e serás sempre uma luz para muitos de nós.

E para acabar este (ultra) longo testemunho, quero informar-vos de que me sinto melhor que nunca. Perdi, já, 21kg, passei dos 134 para os 112,30, o meu IMC baixou dos 48 para os 40, estou prestes a sair da obesidade mórbida e entrar na moderada! Muita força a todos os que foram e os que ainda vão ser operados. Por muitas dificuldades que este processo traga, vale sempre a pena!

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